sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E EM MILAGRES, ACREDITAM?

8:00 horas
Lá vai a Zundap, mais a Famel, mais a Sachs, mais a Casalinho de dois tempos, um Clio comercial, um Corsa igual, uma camioneta da Pacense, uma de caixa aberta, uma ou duas bicicletas destravadas, duas pessoas a pé, todos juntos a bombar rampa abaixo para chegar à mesma hora ao emprego, ou seja, atrasadíssimos, em cima da hora, a 80km hora (tirando os que vão a pé; os de bicicleta vão a descer, e conseguem...).

12:00 horas:
O mesmo panorama, mas a subir. À porta da Junta de Freguesia, que por acaso tem um Jardim de Infância, um sem-número de carros estacionados, mal estacionados, atravessados e como se conseguem arranjar… Alguns, ora de um lado, ora de outro, em cima da passadeira, que ninguém notou, porque se gastou, se desmarcou ou se queixa da tinta que esgotou?! Sinal de passadeira? Nem vê-lo! Crianças atropeladas? Felizmente não há notícias! E em milagres, acreditam?

13:30 horas:
O mesmo panorama, outra vez a descer. Os mesmos carros estacionados, mal estacionados, atravessados e como se conseguem arranjar… Alguns, ora de um lado, ora de outro, em cima da passadeira, que ninguém notou, porque se gastou, se desmarcou ou se queixa da tinta que esgotou?! Sinal de passadeira? Nem vê-lo! Crianças atropeladas? Felizmente não há notícias! E em milagres, acreditam?

18:00 horas:
O mesmo panorama, mas a subir. Não há carros estacionados. As crianças saem mais cedo. Passou mais um dia, correu tudo bem, felizmente! E amanhã? Acreditam em milagres?

INSPIRA, DESINSPIRA...

Inspira, “desinsipira”…
Inspira, “desinsipira”…
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”

Ultimamente é assim que tem sido: “desinspiração” é o que não me falta…
O meu mal?
Não ter tempo para ler;
Não ter tempo para viajar;
Não ter tempo para sair do meu casulo.
Tudo se confina ao tempo, ou à falta dele.
Não temos tempo para ir ao ginásio (Trabalho-casa; casa-trabalho);
Não temos tempo para aquele almoço (“Um dia destes temos que ir almoçar”);
Não temos tempo para estar com os amigos (“Tive uma semana que nem te conto. E este fim de semana tenho tanto que fazer! Não vai dar!”);
Não temos tempo para brincar com os nossos filhos (“Deixa o papá acabar isto, que eu já vou!” e penso: “Entretanto vou-te levar à cama; está na tua horita”)

E quem é que podemos culpar desta falta de tempo?
Ora vejamos…
40 horas de trabalho por semana, chega?
Mais algumas horas extra laborais para ganhar algum dinheiro extra…
Chega?
Mais a falta de dinheiro para pagar à empregada, ao jardineiro, ao homenzinho que lava o carro, à lavandaria, ao ginásio, ao… à… ao… à… ao… à…
Ou seja, falta de tempo = falta de dinheiro.
Tudo se confina, afinal, à falta de dinheiro.

Se não tens dinheiro para viajar, lê um livro!
Se te sentes cansado para ler, sai do casulo.
Não! Também estás cansado para sair do casulo!
Então, limita-te à “desisnpiração”, e dorme!
A dormir é que se aprende!
Por falar em tempo: Chuva, deprimes-me!