sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"MAR PORTUGUÊS"

Outrora, cantado por Pessoa,
Eras de lágrimas, derramadas por quem ficava e não te atravessava…
Eras a ponte que levava a novas culturas e assim nos brindaste LUSÍADAS.

Hoje, que ofereces o teu leito ao mundo,
significas o sorriso das crianças que correm pela tua praia,
aquela a quem só tu cobres com beijos salgados.

Significas o sorriso dos pais, arrebatados pelas travessuras dos pequenos;
o sorriso de quem em ti procura consolação
e daqueles que te consultam para se encontrarem, se inspirarem…

És também alegria!
A alegria dos namorados que escondes nas tuas dunas
e das gentes que pincham e se salpicam do teu sal.

És aventura!
A aventura daqueles que te desfloram,
rasgando-te as entranhas de prancha em riste.

És descoberta!
A descoberta de quem te penetra
e te rouba os segredos.

És energia!
A energia que nos ilumina.

És o sal que nos tempera e a fonte que nos compõe a mesa;
O teu aroma é terapia e a tua espuma o meu berço;
E para mim? Renova-me, sempre, ó MAR PORTUGUÊS!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SER MÃE...

Ser mãe é não ser egoísta,
É partilhar a vida, é amar, é esquecer-se dela própria,
É viver a pensar no amanhã,
No que há-de ser, no que virá…
Ser mãe é guardar o melhor pedaço,
Ter sempre aquele sorriso,
É aguardar ansiosamente a chegada a olhar o relógio, insistentemente,
E reclamar com os ponteiros…
Ser mãe é ter a bondade de ouvir, saber perdoar, magoar-se, e esquecer-se.
Ser mãe é dedicar-se, entregar-se,
É estar sempre presente, sem o estar.
Ser mãe é: Ser mãe!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

MEU TRISTE CAMPO DE SONHOS FÉRTEIS

Está triste o meu campo de sonhos férteis.
Está carregado de ervas daninhas.
Umas, de raízes profundas, difíceis de arrancar;
Outras, munidas de espinhos, que se cravam e teimam não largar…
Tantas são as pragas que atormentam o meu triste campo, tão fértil de sonhos…

Uma vez, puxei uma raiz tão profunda que tantas outras descobri.
Que solução melhor que devolver tudo à forma original?

Outra vez, pensei livrar-me dos abrolhos, mas estavam tão profundamente cravados na carne… Que séria e dura empresa! Gorei o encargo.
E de tudo o que no meu campo cresce, o que mais aprecio são os bolbos,
Pois são como algumas pessoas: inteligentes, sagazes, astutos…
Esperam sempre pelo momento certo!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

ESCREVO, LOGO EXISTO...

Sou invejoso!
Sou! Não o nego…
Tenho uma inveja doentia de gente que escreve;
De gente que escreve bem, sobre qualquer coisa, sob qualquer pretexto, com ou sem mote;
De que escreve tão bem, que se imortaliza pela escrita.
Cobiço a capacidade reflexiva de quem fita um objecto e, sem mais, escreve…
Cobiço a inteligência de quem atenta numa notícia e, sem mais, escreve…
Cobiço a criatividade de quem escreve por escrever…
Invejo, cobiço e aprecio, quem não é preguiçoso, quem não se deixa ficar…
E eu, onde estou? Tem dias?!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E EM MILAGRES, ACREDITAM?

8:00 horas
Lá vai a Zundap, mais a Famel, mais a Sachs, mais a Casalinho de dois tempos, um Clio comercial, um Corsa igual, uma camioneta da Pacense, uma de caixa aberta, uma ou duas bicicletas destravadas, duas pessoas a pé, todos juntos a bombar rampa abaixo para chegar à mesma hora ao emprego, ou seja, atrasadíssimos, em cima da hora, a 80km hora (tirando os que vão a pé; os de bicicleta vão a descer, e conseguem...).

12:00 horas:
O mesmo panorama, mas a subir. À porta da Junta de Freguesia, que por acaso tem um Jardim de Infância, um sem-número de carros estacionados, mal estacionados, atravessados e como se conseguem arranjar… Alguns, ora de um lado, ora de outro, em cima da passadeira, que ninguém notou, porque se gastou, se desmarcou ou se queixa da tinta que esgotou?! Sinal de passadeira? Nem vê-lo! Crianças atropeladas? Felizmente não há notícias! E em milagres, acreditam?

13:30 horas:
O mesmo panorama, outra vez a descer. Os mesmos carros estacionados, mal estacionados, atravessados e como se conseguem arranjar… Alguns, ora de um lado, ora de outro, em cima da passadeira, que ninguém notou, porque se gastou, se desmarcou ou se queixa da tinta que esgotou?! Sinal de passadeira? Nem vê-lo! Crianças atropeladas? Felizmente não há notícias! E em milagres, acreditam?

18:00 horas:
O mesmo panorama, mas a subir. Não há carros estacionados. As crianças saem mais cedo. Passou mais um dia, correu tudo bem, felizmente! E amanhã? Acreditam em milagres?

INSPIRA, DESINSPIRA...

Inspira, “desinsipira”…
Inspira, “desinsipira”…
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”
“desinsipira”

Ultimamente é assim que tem sido: “desinspiração” é o que não me falta…
O meu mal?
Não ter tempo para ler;
Não ter tempo para viajar;
Não ter tempo para sair do meu casulo.
Tudo se confina ao tempo, ou à falta dele.
Não temos tempo para ir ao ginásio (Trabalho-casa; casa-trabalho);
Não temos tempo para aquele almoço (“Um dia destes temos que ir almoçar”);
Não temos tempo para estar com os amigos (“Tive uma semana que nem te conto. E este fim de semana tenho tanto que fazer! Não vai dar!”);
Não temos tempo para brincar com os nossos filhos (“Deixa o papá acabar isto, que eu já vou!” e penso: “Entretanto vou-te levar à cama; está na tua horita”)

E quem é que podemos culpar desta falta de tempo?
Ora vejamos…
40 horas de trabalho por semana, chega?
Mais algumas horas extra laborais para ganhar algum dinheiro extra…
Chega?
Mais a falta de dinheiro para pagar à empregada, ao jardineiro, ao homenzinho que lava o carro, à lavandaria, ao ginásio, ao… à… ao… à… ao… à…
Ou seja, falta de tempo = falta de dinheiro.
Tudo se confina, afinal, à falta de dinheiro.

Se não tens dinheiro para viajar, lê um livro!
Se te sentes cansado para ler, sai do casulo.
Não! Também estás cansado para sair do casulo!
Então, limita-te à “desisnpiração”, e dorme!
A dormir é que se aprende!
Por falar em tempo: Chuva, deprimes-me!